Lightsource BP

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Miguel Lobo
Country Head Portugal

A energia solar atravessa hoje, em Portugal, um período de franca expansão, que abre perspetivas positivas para os próximos anos. Foi a tecnologia que mais evoluiu em termos de potência instalada desde 2016 até 2020, totalizando hoje mais de 1000MW.

 

Esta tendência de subida confirma o enorme potencial deste setor, identificado há muito. Como sabemos, Portugal beneficia de uma das maiores disponibilidades de radiação solar da Europa, embora a concretização se encontre aquém das  suas potencialidades, surgindo apenas em 10º lugar no ranking 2019-2020 de mercados europeus de solar fotovoltaico (Solar Power Europe). A margem de evolução é, portanto, atrativa.

 

Para o futuro, tudo indica que o período atual favorável se expanda e consolide. A ambição resulta de uma conjugação favorável entre a evolução da própria tecnologia (mais competitiva e muito mais barata do que há 10 anos, tornando o solar na tecnologia mais competitiva) e a estratégia nacional para o setor. O leilão de 2019 marcou, definitivamente, uma viragem na energia solar, mas o caminho é ainda mais entusiasmante para os próximos anos, com o Plano Nacional de Energia e Clima (PNEC), norteado por uma incorporação renovável de 80% na eletricidade, a perspetivar 9 GW de solar fotovoltaico para o horizonte 2030.

 

É neste contexto que nasce o investimento e aposta estratégica da Lightsource bp em Portugal, país onde estamos desde 2019. Resultado de uma joint venture 50:50 entre a bp e a Lightsource, líder mundial no desenvolvimento e gestão de projetos em energia solar, a Lightsource bp tem atividade em 15 países, contando com 3,8 GW desenvolvidos à data e 25 GW em pipeline (com um financiamento garantido de 1,5 mil milhões de euros).

 

Para Portugal, a estratégia alinha-se com a missão global da marca: acelerar o crescimento desta fonte de energia, através da implementação e gestão de projetos ambiciosos que beneficiam do sólido know-how em solar, da escala global da marca e da elevada estabilidade e capacidade de financiamento. Os primeiros passos estão dados: sete projetos nacionais em larga escala localizados um pouco por todo o país e mais de € 900M de investimento.  Atualmente em fase de desenvolvimento, são projetos que estarão em total operação nos próximos sete anos e que se integram num pipeline ibérico de 3,5 GW.  

 

Os nossos projetos são, no entanto, mais do que números de potência instalada. Na Lightsource bp, acreditamos que a sustentabilidade e a responsabilidade social são eixos fundamentais na evolução deste setor. O nosso portfólio é focado em projetos fotovoltaicos de nova geração, de preço competitivo, de gestão sustentável, com respeito pela biodiversidade e em estreita ligação com comunidades e empresas locais.  

 

Esta relação entre uma plataforma global (que nos dá escala, competitividade e capacidade de atração de financiamento) e impacto local (com o know-how de cada contexto e o envolvimento das comunidades locais diretamente impactadas por cada projeto) é um dos eixos estruturantes do nosso posicionamento. Para alguns dos projetos nacionais, firmámos uma parceria com a empresa local INSUN e temos um compromisso a longo prazo com a criação de mão-de-obra local qualificada: milhares de empregos durante a fase de construção e dezenas quando os projetos alcançarem a fase de operacionalização.

 

Que fatores motivaram o investimento da Lightsource bp em Portugal? O contexto desempenhou um papel importante, disponibilidade abundante de recurso solar, potencial elevado e altas ambições nacionais para o setor. Ainda assim, a estabilidade regulatória acabou por ser o principal fator de decisão neste processo de investimento. E é algo que terá de se manter para continuar a captar novos investimentos, investidores e players para o mercado nacional, servindo de âncora aos objetivos ambiciosos estabelecidos para esta tecnologia e para a matriz energética de Portugal.

 

Concretizar o potencial português

 

Do potencial à concretização deste setor em Portugal, o caminho é longo e com desafios a resolver. Estamos no bom caminho, sem dúvida. Mas é fundamental que se preserve esta estabilidade regulatória e se afinem as regras no licenciamento, tornando o processo mais claro, célere, transparente e justo para todo o mercado.

 

É também necessário combater as fake-news que continuam a prejudicar o setor e a criar obstáculos ao envolvimento das comunidades locais. Nesta dimensão, todos nós – APREN e associados – podemos ter um papel crucial, ao privilegiar uma comunicação de proximidade junto das comunidades e ao desconstruir informações erradas que circulam em abundância.

 

Tome-se, como exemplo, a controvérsia de que o investimento em solar poderia ‘alcatifar’ o território nacional com painéis fotovoltaicos, prejudicando a paisagem. É este tipo de conceções que importa esclarecer e desmitificar. Na verdade, as projeções do PNEC correspondem na práctica a cerca de 0,15%-0,2% da área total de Portugal continental. Um valor abaixo do que o que é esperado, por exemplo, para a Alemanha (mais do dobro), país cuja disponibilidade de radiação solar é muito menor.

 

No horizonte até 2020-30 a energia solar perspetiva-se, indiscutivelmente, como o motor para a descarbonização. Definida a meta, construamos este caminho sólido sem hesitações, dando resposta aos principais desafios (licenciamento, estabilidade regulatória, comunicação e envolvimento de todos os stakeholders) e olhando para as sinergias que se criam dentro da matriz energética.

 

Neste aspeto, destaca-se, por exemplo, a dinamização da indústria do hidrogénio verde em Portugal, com sinergias claras e benefícios para o setor solar, enquanto fonte de energia renovável. Antecipando este potencial, a Lightsource bp está ativamente a explorar projetos de hidrogénio verde em Portugal, que se juntarão às parcerias já firmadas no Reino Unido e Austrália para esta tecnologia.

 

A APREN estima que até 2030, e tendo por base as metas preconizadas no PNEC, a energia solar se torne no principal contributo para o PIB (62%) entre as diversas tecnologias renováveis, alcançando um total de € 7.945M. Será também a energia solar a responsável pela manutenção de aproximadamente 100 mil empregos diretos e indiretos em 2030, o equivalente a 62% de todo o emprego associado ao setor das energias renováveis. E, em termos de investimento, é novamente o solar que absorve a maior fatia de investimento privado (8,2 mil milhões de euros em total acumulado, até 2030), dentro das renováveis. A concretização destes números é a base de uma “década do solar”, que se perspetiva precisamente até 2030. Numa lógica de parceria e estabilidade, nós, na Lightsource bp, estamos a postos para investir e contribuir para um impulso firme a esta ambição nacional.

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