Coopérnico

Espaço Associado

João Crispim
Diretor de Produção

Por João Crispim (Diretor de Produção da Coopérnico)

 

Contando já com sete anos de crescimento e tendo iniciado uma nova fase de comercialização, a Coopérnico procura agora garantir a origem renovável da energia fornecida aos cooperantes através de PPAs.

 

Esta é a mais recente etapa num projeto que começou em 2013, com a criação da primeira cooperativa de energias renováveis portuguesa. Hoje conta com mais de 1.700 cooperantes ligados pela vontade de participar num projeto com um modelo de gestão democrático, transparente e participado, sem fins lucrativos e com produção 100% renovável. Além de uma estrutura e estratégia organizacional distintas da maioria dos operadores de mercado, a Coopérnico tem uma visão de partilha do caminho que é a transição energética, para que esta se faça com cidadãos informados e conscientes das suas escolhas.

 

Ao abrigo do estatuto das Unidades de Pequena Produção (UPP), a Coopérnico cresceu para mais de 25 centrais, procurando estabelecer parcerias, nomeadamente no terceiro sector. Nestas parcerias, a utilização remunerada das coberturas é complementada por uma entrega das centrais para exploração findo o contrato de 15 anos.

 

Com a evolução dos preços dos equipamentos de produção, outros modelos de operação se tornaram possíveis, nomeadamente explorando a instalação e venda direta ao cooperante, num regime de Unidade de Produção para Autoconsumo (UPAC). Esta modalidade potencia poupanças particulares, através de um preço de energia menor que o da rede, e gerais, ao diminuir a procura do sistema e, consequentemente, o preço para todos os consumidores. Notável é que estes benefícios se atingem sem qualquer investimento do cooperante, além da compra dos 3 títulos de capital social (60€).

 

Continuando o crescimento, a Coopérnico evoluiu para comercializar energia. Este foi um passo muito aguardado pelos seus cooperantes.

 

No primeiro trimestre de 2020 as centrais da Coopérnico produziram 434MWh. Por outro lado, o consumo verificado do lado da comercialização foi de 413MWh. A Coopérnico produziu mais energia com base em energia solar do que a que colocou nos seus clientes/cooperantes. Ainda assim, não é uma comercializadora “verde”, como ambicionado pelos seus cooperantes. Reafirmando a Coopérnico como democrática e transparente, a evolução para o fornecimento de energia com base em energia renovável não é um artifício de conquista de mercado, mas uma necessidade estruturante do caminho a percorrer.

 

Para efeitos de contabilização do mix energético de fornecimento, a energia produzida em UPP, sendo entregue ao Comercializador de Último Recurso (CUR), não é contabilizada do lado da Coopérnico, mas do lado da sua contraparte.

 

Desta forma, sobram três alternativas para garantir o mix renovável ambicionado: Garantias de Origem (GO), produção adicional em regime de mercado e a compra em regime de PPA. Consideremos cada uma destas alternativas.

 

Como forma de garantir que a produção de energia renovável não é duplamente contada, e com um mercado recentemente criado em Portugal, as GO oferecem a solução mais expedita para a resolução da questão do mix energético. Ainda assim, considerando a vontade da Coopérnico em contribuir ativamente para a transição energética e na medida em que as GO não estimulam necessariamente o investimento em nova produção de energia com base em renováveis, esta é uma solução que se considera, no limite, temporária.

 

Relativamente à possibilidade de produção adicional em regime de mercado, esta é uma solução que pretendemos explorar. Ainda assim, conscientes do tempo de desenvolvimento de uma solução de raiz, bem como do nosso crescimento como comercializadores (50% por trimestre e uma expectativa anualizada de 5GWh até ao final do ano), chegamos à terceira alternativa.

 

E é desta forma que terminamos como começámos: a Coopérnico procura agora garantir a origem renovável da energia fornecida aos cooperantes através de PPAs. Neste sentido, a oportunidade de expor esta expectativa aos restantes membros da APREN veio em boa hora. Estamos agora em condições de abordar o mercado de PPAs diretos com produtores de energia renovável, conseguindo finalmente um desiderato de ser um fornecedor de eletricidade renovável “do produtor ao consumidor”.

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