IEP - Instituto Electrotécnico Português

Espaço Associado

Inspeção para manutenção preventiva

 

Todos estamos conscientes que a redução da emissão de gases com efeitos de estufa para a atmosfera constitui uma medida crucial para manter o planeta habitável. Nessa orientação de raciocínio, a incorporação progressiva de fontes de energia renovável constitui por si só uma contribuição decisiva para esse objetivo, nomeadamente aquelas que implicam a produção de energia elétrica. Nesse contexto, o grande crescimento em número e em extensão dos parques fotovoltaicos e eólicos, bem como de grandes empreendimentos hídricos instalados por todo o mundo, constituem um contributo de importância extrema para esta grande empreitada global.

 

Em 2017, Portugal estava no topo do ranking de países cuja produção de eletricidade provinha de fontes renováveis, nomeadamente eólica e fotovoltaica. Assim, neste enquadramento, gostaríamos de destacar o forte desenvolvimento das tecnologias de produção fotovoltaica com economias de escala absolutamente consistentes, o que faz com que seja cada vez mais aliciante a construção em grande escala desse tipo de centrais, com capacidade de fornecimento de energia à rede em regime de mercado (sem subsidiação de tarifas). Por este mesmo motivo, deve-se ter em consideração que a otimização do desempenho dessas infraestruturas é absolutamente crítica.

 

Efetivamente, os módulos fotovoltaicos apresentam naturalmente perdas de eficiência na conversão de energia de aproximadamente 1% por ano. Mas seguramente que existem outros fatores exógenos, tais como condições de instalação deficientes, mau condicionamento no transporte até ao local de instalação e, obviamente, problemas construtivos dos próprios módulos solares, que podem acelerar a sua degradação ao longo da vida útil. Pelas razões aqui apontadas, a monitorização bem concertada do desempenho dos mesmos módulos solares, constitui um elemento de importância extrema, para validar se a evolução desse mesmo desempenho é efetivamente a expectável.


No enquadramento aqui identificado nós recomendamos que se desenvolvam, de forma sistematizada, ensaios de validação do desempenho dos módulos solares através de medições (em condições STD) de curvas “I-V” (flash-test) e ensaios de eletroluminescência. Este grupo de ensaios permite medir a evolução do desempenho/eficiência dos módulos solares, bem como também permite indagar sobre as possíveis causas da eventual degradação inusitada.


Obviamente que existem também outros elementos críticos habitualmente designados por “BoS” (Balance-of-System), nomeadamente estruturas de suporte e seguimento, cablagens e elementos de proteção elétrica (string boxes), inversores, ou até mesmo as condições de injeção da energia na rede elétrica, sem a qualidade das quais o desempenho global do sistema ficará seriamente comprometido.

 

Neste contexto, é importante a entrada de uma terceira parte, independente do prestador de serviços da construção/manutenção que, com as ferramentas técnicas e humanas adequadas, será capaz de avaliar o estado do parque como um todo. Podendo, esta entidade, desenvolver desde inspeções termográficas aos módulos fotovoltaicos, bem como aos BoS, passando por inspeções de segurança elétrica (resistências de terra, dimensionamento de fusíveis em caixas de strings, transformadores e cablagens DC e AC). Deste modo, através do relatório emitido, a equipa de construção/manutenção pode ser mais incisiva nos pontos-chave a intervir, conseguindo maximizar toda a potencialidade da instalação fotovoltaica.


Salienta-se também que, em parques com uma potência instalada superior a 1 MWp, já é possível fazer inspeções termográficas globais aos módulos fotovoltaicos em tempo útil, recolhendo informação importante para a realização de uma manutenção eficaz. Uma inspeção regular detalhada por drone, permite a identificação, localização e caracterização de defeitos possibilitando o acompanhamento da evolução destes, com uma precisão inigualável e inviável de outro modo.


Evidenciamos, uma vez mais, que a intervenção periódica (de dois em dois anos) de uma equipa de inspeção/auditoria, em colaboração estreita com as equipas de manutenção, proporcionará uma avaliação concisa à evolução do desempenho dos parques fotovoltaicos. A inspeção, permite que a equipa de manutenção se foque no essencial, avaliando a prioridade das correções, consoante o grau de severidade dos defeitos encontrados. Desta forma, uma entidade de terceira parte, independente, coopera com promotores e equipas de manutenção, de modo a retirar o máximo proveito possível de cada parque solar, maximizando a produção, aumentando a sua vida útil e, consequentemente, aumentando o retorno financeiro do investimento.

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